Mergulho

A toda a velocidade lança-se no vácuo,

Sob uma nuvem negra de silêncio e solidão,

Incapaz de descortinar o rumo a tomar,

O destino infalível, nunca desejado.

O céu de algodão transformou-se,

Por obra de uma bofetada invisível,

Numa parede espessa de granito escuro,

Inabalável, indestrutível, cada vez mais elevada.

O adeus que não se ouvia

(mas que se impunha, impiedoso,

Por entre as noites mal dormidas

E os dias de chuva interior)

Gritava, estridente, aos ventos fustigantes.

Levou consigo, sem pedir permissão,

Sonhos abandonados no começo

Obras a quatro mãos cansadas

E tudo aquilo que, desgraçadamente,

Jamais viria a ver a luz matinal.

De hora a hora regressa ao passado,

Abraça o estômago, em vão:

As memórias e o desejo

Nada de volta trarão.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

Blog at WordPress.com.

Up ↑

%d bloggers like this: