La Bella Italia – Milano

(English version below)

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O dia seguinte foi inteiramente dedicado a Milão, ou, numa metáfora pictórica, a Madonna di Pasadena, de Raffaello.

Berço do fascismo italiano e, na Idade Média, a maior potência do Norte de Itália, Milão apresenta-se uma verdadeira metrópole, onde imperam a grandiosidade dos monumentos, das praças e das ruas, mas também é marcada por um significativo contraste entre riqueza e pobreza, tal como por uma disputa entre luminosidade e penumbra.

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Diretos à Piazza Duomo, encontrámo-nos numa praça ampla com uma peculiaridade: a catedral (o Duomo) fica no meio da praça, em vez de, como habitualmente, esta se estender a partir dela. A beleza de ambas é inquestionável, de uma brancura e detalhe estonteantes, e o ambiente, embora claramente turístico, é de uma agradável tranquilidade, onde se ouve música tocada por diversos artistas aos quais se juntam, por vezes, pares a dançar.

Há duas filas (enormes) para comprar bilhetes para o Duomo: visita e subida. A primeira, por ser mais pequena e num local mais discreto (à entrada para o museu do Duomo), passa despercebida, mas é a mais aconselhada. A visita – que exige que se vá com os ombros e as coxas tapados – começou, então, pelo museu, ao qual se seguiu a subida (a pé, porque a diferença de preços para o elevador é significativa, mas a diferença de esforço é quase inexistente) ao telhado. Estava à espera de uma vista fascinante sobre a cidade, que não tive, no entanto o terraço é fabuloso. É possível ver quase ao pormenor os pequenos detalhes de cada coluna e chegar mais perto da Madonnina, a estátua dourada no cimo do Duomo.

Seguiram-se os batistérios e a igreja propriamente dita, que mesmo para uma ateia é impossível ficar alheia à beleza e imponência daqueles vitrais, da nave e do altar.

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Intriga-me, no entanto, como os fiéis não se revoltam perante a turistificação de todos os lugares sagrados, onde tudo se torna alvo de negócio.

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Atravessar as Galerias Vittorio Emannuelle, que ligam a Praça do Duomo ao Teatro alla Scala, para quem como eu não liga às lojas de luxo que por lá se encontram, vale a pena pelo teto em ferro e vidro e pela cúpula, bem como pelo interessante detalhe de, no chão, ser possível encontrar os mosaicos das até hoje quatro capitais italianas: Roma, Milão, Turim e Florença.

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Paramos para almoçar no restaurante Di Gennaro, porque queria comer uma verdadeira pizza italiana. Era boa, claro que sim, mas tenho de dizer que não ficou nada atrás daquilo que é servido em muitos dos restaurantes italianos em Portugal. Foi esta a opinião que, de resto, mantive durante toda a viagem em relação à culinária (com exceção dos gelados, sem dúvida!).

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Da parte da tarde descemos até ao Castello Sforzesco, um dos grandes marcos de defesa de Milão contra as invasões francesas, em 1796, mas também um ícone da traição por, em 1815, aquando da ocupação austríaca da cidade, os canhões do castelo terem sido usados para bombardear Milão. O belíssimo parque Sempione, ao estilo inglês, estende-se por entre galerias de arte e museus até ao Arco da Paz. Será, certamente, um programa agradável sozinho, acompanhado ou em família fazer um picnic num dos relvados por onde crescem diversas espécies de árvores, a aproveitar a sombra e a frescura dos lagos.

Para gelados aconselho vivamente o duomo dal 1952, diante do Arco da Paz (portanto numa zona pouco movimentada), que serve os gelados mais cremosos que tive o prazer de provar, e o Coppola bar, uma esplanada mesmo virada para o Duomo.

É possível que Milão não seja a cidade mais bonita a visitar, mas é cheia de vida e de experiências que merecem a pena ser aproveitadas.

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English

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The next day was entirely reserved for Milan or, in a pictorial metaphor, the Madonna di Pasadena, by Raffaello.

Birth of the Italian fascism and, during the Middle Age, the most important city of the North of Italy, Milan is presented as an actual metropolis, marked by the magnificence of monuments, squares and streets, but also by a significant contrast between wealth and poverty, brightness and shade.

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Straight to the Piazzo Duomo, we found ourselves on an extensive square and were amazed by how the Duomo is placed in the middle of it, as opposed to the most common version, where the square extends from the cathedral’s doors. The beauty of both of them is beyond dispute, characterized by a breathtaking whiteness and detail, and the ambiance, although obviously touristic, is a peacefully pleasant one, where artists play music to which some couples dance to, now and then.

There are two huge lines to buy tickets for the Duomo: visit and roofs. The first one, which is smaller and in a more discreet spot (at the entrance of the Duomo’s museum), is often missed, but is also the one I advise you to choose. The visit – for which you must cover your shoulders and thighs – started off at the museum, after which we climbed (by foot, as the price difference is significant, but the effort difference not so much) up to the roof. I was anticipating a striking view over the city, which was not actually the case. Nevertheless, the roof is an astonishing piece of art. You can observe almost to the detail every single piece of each column and get closer to the Madonnina, the golden statue on the top of Duomo.

We then moved on to the baptisteries and the church itself and even an atheist like myself cannot help being mesmerized by the beauty and greatness of its mosaics, the nave and the aisle.

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On a side note, it is hard for me to understand how Christians are not outraged by the turistification of all sacred places, where everything is some sort of business.

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Going through the Vittorio Emannuelle Galleries, which connect the Duomo Square to the alla Scala Theatre, even though you may not care for its luxurious brands, is still worth it due to the glass and iron roof, as well as the summit, and for the curious detail of the four Italian capitals represented by a mosaic on the floor: Rome, Milan, Turin and Florence.

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The Di Gennaro restaurant was the chosen one for a true Italian pizza. It was, without question, good, but I must say that it was not better than the ones served on many Italian restaurants in Portugal. Besides, this was an opinion that did not change throughout this trip, regarding gastronomy (with the exception of ice creams, absolutely!).

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During the afternoon we went down to the Sforzesco Castle, one of the strongest symbols of Milan’s defense against French invasions, in 1796, but also an image of betrayal, as in 1815, during Milan’s occupation by Austrian troops, its own cannons were used to bomb the city. The ravishing English-style Sempione Park encompasses many art galleries and museums, up to the Peace Arch. It must be very pleasant to, alone, with family or with a buddy, picnic in one of the grass fields where many tree species grow, enjoying the freshness provided by the lakes.

If you want to try the finest ice creams, I suggest you the duomo dal 1952, in front of the Peace Arch (therefore, placed in a less crowded area), which makes the softest ice creams I have ever tasted, and Coppola bar, with an esplanade facing the Duomo.

You may not find Milan the most beautiful city you’ll ever been to, but it is, undoubtedly, full of life and experiences to offer.

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