La Bella Italia – Bergamo

(English version below)

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Se Bérgamo fosse uma pintura, seria O Nascimento de Vénus, de Botticelli. Escondida na sombra de uma cidade maior, Milão, as suas muralhas albergam uma sensualidade luminosa e de uma beleza única, onde contrasta o verde dos inúmeros jardins e parques com o alaranjado do pôr-do- sol que banha os telhados, as paredes e as ruas.

Capital da Lombardia, foi conquistada pelos Romanos aos Celtas no século II a.C. e sofreu várias disputas até passar a pertencer à República de Veneza, em 1428, que em 1561 construiu um muro de defesa, transformando-a numa cidade-fortaleza que ainda  hoje é assim preservada.

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O aeroporto de Orio al Serio fica a uma distância de quinze minutos de autocarro do centro de Bérgamo e de meia hora da Città Alta (cidade alta). Os bilhetes custam 2,30€, mas não vi qualquer controlo, pelo que poderia perfeitamente ter viajado sem os comprar – talvez depois tivesse tido que transportar também o peso da consciência.
Em frente à estação de comboios, na Città Bassa, há cacifos próprios para as malas (3€ um pequeno onde cabe uma mala de cabine, 4€ um grande, onde cabem duas). Uma vez libertas as mãos, estava na hora de procurar um pequeno-almoço que nos ajudasse a aguentar o dia de visita e foi assim que descobri, com bastante incredulidade, que o pequeno-almoço típico italiano – para além do café, claro – é algo que eles denominam brioche e que não é mais do que um croissant folhado açucarado simples ou com recheio de chocolate com avelã, creme de ovo ou compota de pêssego. Muito simples, mas quentinho é maravilhoso.

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Passando pela Torre dei Caduti, um memorial à II Guerra Mundial, a igreja Santa Maria delle Grazie e a Porta Nuova, constituída por edifícios neoclássicos, chega-se ao funicular que permite o acesso à Città Alta. Embora haja máquinas automáticas para aquisição de bilhetes, as pessoas têm tendência a preferir as filas para os vendedores. Não se deixem enganar: os preços são os mesmos e o tempo de espera muito menor. (Só lá fiquei um dia, mas se planearem ficar mais, podem sempre adquirir um bilhete de 72 horas à chegada ao aeroporto por 7€, que permite utilizar quer o funicular da Città Alta, quer o San Vigilio).

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A chegada lá acima deslumbrou-me. Não estava a contar retirar nada daquela cidade que nem sequer figurava no meu roteiro inicial, mas as ruas estreitas, a luz, as varandas e janelas floridas e o aroma de um misto de terra seca pelo verão e massa acabada de sair do forno fizeram do meu primeiro contacto com Itália uma sensação de descoberta e de ânsia por mais.
As ruas sobem e descem pelo meio de árvores e de flores que crescem num caos completamente organizado, conduzindo à renascentista Piazza Vecchia, o centro da Città Alta, que alberga o Palazzo della Ragione e a Torre Civica, também chamada Il Campanone.

 

Construída entre os séculos XI e XII, para testemunhar o poder de uma família nobre, a Torre Civica é uma das razões pelas quais Bérgamo é conhecida pela cidade das cem torres. Optei por subir os seus 52 metros a pé e, lá de cima, por baixo de um enorme sino – o maior de toda a zona da Lombardia – que todas as noites dos últimos 360 anos toca cem vezes, numa recordação de quando servia para alertar os cidadãos do fecho das portas da cidade, estendia-se-me uma vista fabulosa sobre a Piazza Vecchia e a Piazza Duomo, que foi onde comecei a aperceber-me da magnitude das igrejas italianas.

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A paragem para almoço foi no Bgigi, um pequeno restaurante com comidinhas típicas confecionadas de uma forma peculiar, extremamente descontraído, com um atendimento impecável, uma decoração fora do comum e uns sumos naturais de babar. Uma vez que o mundo fit tinha ficado em pausa, fiz questão de provar uma polenta e Osèi, um doce típico da zona feito com polenta e sabor a amêndoa amarga, que eu adoro, e que só num sítio consegui encontrar em versão individual.
Ficou por visitar o Castelo San Vigilio, para o qual seria necessário apanhar o outro funicular. Em vez disso fizemos, e ainda bem, a descida a pé de regresso à Città Bassa para aí apanhar o comboio que demora cinquenta minutos e 5,50€ até à estação central de Milão.

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A pacatez de Bérgamo emana uma felicidade tranquila contrastante com o reboliço e alguma ausência de luz típica das grandes cidades. Seria, facilmente, um sítio onde me refugiaria sozinha com um caderno e uma caneta, perdida pelas ruelas e praças enormes, em recuperação de paz de espírito.

 

English

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If Bergamo was a painting, it would be The Birth of Venus, by Botticelli. Hidden by the shadows of a bigger city, Milan, its walls enclosure a luminous sensuality of a unique beauty, where the green of the countless gardens contrasts with the orange of the sunset over the roofs, walls and streets. Capital of Lombaria, Bergamo was conquered by the Romans from the Celts in II a.C. and it has suffered many disputes ever since until it became part of the Republic of Venice, in 1428, which built, in 1561, a defense wall, thus making it a fortress town which remains preserved that way nowadays.

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Orio al Serio airport is fifteen minutes away by bus from the center of Bergamo and a half hour away from the Città Alta (upper city). Tickets cost 2,30€ but I saw no one controlling it, so I could have travelled without ticket, except that I would have to carry the weight of my conscience with me.

In face of the train station, in the Città Bassa, there are lockets for luggage deposit (3€ for a small one, 4€ for a big one). Once we were hands-free, it was time to find a breakfast that would help us get through the day and that is when I found out, with astonishment, that the typical Italian breakfast is composed of coffee, of course, and something they call brioche and which is no more than a French sugar plain croissant or filled with hazelnut chocolate cream, custard cream or peach jam. Very simple, yet delicious if warm.

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As we passed by Torre dei Caduti, a WW2 memorial, the Santa Maria dele Grazie church and Porta Nuova, which is composed of neoclassical buildings, we arrived at the funicular that takes us to the Città Alta. Although there are ticket machines, people tend to wait in line for the salespeople. Don’t get fooled by that: the prices are the same and the waiting time is significantly shorter. (I was in Bergamo only for one day, but if you’re planning on a longer staying, you can purchase a 72 hours ticket at the airport for 7€ and it will give you access to both the Città Alta and the San Vigilio funiculars).

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As I got up there I was overwhelmed. I had no expectations regarding that city that wasn’t even on my initial roadmap, but thanks to the narrow streets, the light, the blooming balconies and windows and a scent that was a mix of dry summer dirt and pasta straight out of the oven my first contact with Italy was a huge sense of discovery eagerness for more. 

Streets go up and down through trees and flowers growing in an extremely organized chaos, leading to the Piazza Vecchia, from the Renaissance period – the heart of the Città Alta, where we can find the Palazzo della Ragione and the Civic Tower, also known as Il Campanone.

Built between the XI and the XII centuries as a proof of the power of a noble family, the Civic Tower is one of the reasons why Bergamo is the city of the one hundred towers. I chose to climb its 52 meters by foot and, up there, under a huge bell – the biggest in all the Lombardy region – that for the past 360 years rings one hundred times at 22h00, an evoked memory from when it was used to notify the citizens of the closing of the gates of the city, I was presented with an amazing view over the Piazza Vecchia and the Piazza Duomo, which is where I started to have a real perception of the magnitude of Italian churches.

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Lunch break was at Bgigi, a tiny restaurant with typical food cooked in a peculiar way. It has a very relaxed ambiance, the service is flawless, the decoration is something else and the fruit juices are incredible.

As the fit world was on hold for a while, I tried a polenta e Osèi, a typical dessert from that region made of polenta and with a sweet taste of bitter almond, which I love, and there was only one place I could find that sell them in individual size.

The Castelo San Vigilio, whose access is made through another funicular, will have to wait for another visit. As it turned out to be a great decision, we went back to the Città Bassa by foot, in order to catch the train that takes 50 minutes and 5,50€ until the Milan central station.

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Bergamo’s quiet atmosphere emanates an easy happiness contrasting with the hubbub and some lack of light characteristic of big cities. It could easily be a safe haven where I’d hide by myself with a paper and a pen, get lost in the alleys and huge squares, on a pursuit for peace of mind.

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