Scones de milho

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O corpo adormecido dela recebeu o toque suave da pele dele, despertando-a para um dia que pede para ser eternizado numa História individual e conjunta de quem partilha pegadas deixadas neste mundo. Continue reading “Scones de milho”

Bolo de maçã e canela (sem açúcar nem farinha)

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Tenho o pressentimento de que se prepara para se despedir de mim. Olha para mim, entregue a uma inóspita luz órfã, e finge um sorriso. Conheço-o já demasiado bem para saber que está a representar. Foi sempre o mais forte de nós, o alicerce no qual se ergue o universo de compromisso no qual temos andado a brincar.

Uma brisa tem soprado entre nós, criando uma fissura erosiva de fervoroso distanciamento. Lanço-lhe um olhar furtivo, porque os meus olhos sempre repousam nos dele. Nele, aquela índole de fantasia e enlevo de quem sabe, sem questão, o que pretende e onde o conseguir. Continue reading “Bolo de maçã e canela (sem açúcar nem farinha)”

Rolinhos de canela

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Algo muito ténue a despertou, deixando-a alerta para o dia que amanhecera pouco antes. Esfregou os olhos ensonados, pequeninos mas com longas pestanas, e colocou os dois pés descalços no chão. Aprendera a não chorar quando acordava sozinha, confiante de que nunca era nem seria deixada em casa por sua conta. Era ainda pequenina.

Silenciosamente, avançou pelo corredor, sugando a chupeta com mimo. Atrás de si arrastava um pedaço de um velho lençol cor de rosa que dormia sempre consigo. Chamava-lhe Mimi e acompanhava-a desde o berço. Continue reading “Rolinhos de canela”

Neblina

De repente, cessei de ver. De olhos ainda bem abertos, sentia sombras passarem por mim, sem forma. meras ideias daquilo que em tempos conhecera e abdicara, por crer ser o melhor.

Sabia onde estava, ainda assm, mesmo não tendo lá voltado em anos. A terra girara uma infinitude de vezes, indiferente àquela mudança que se impusera sobre a minha vida. E, num cliché absurdo, era como se nada tivesse mudado. Continue reading “Neblina”

Irreversível

Ninguém me entende. Tenho pensamentos e ideias que tento partilhar, mas que são recebidos com algo mais do que ceticismo… Um sortido de espanto, desdém, incompreensão e pena.

Na aula de matemática, enquanto contava as gotas de chuva que se acumulavam e transformavam na janela, assolou-me uma dúvida que me perturbou, paralisando o meu pensamento e canalizando toda a minha atenção:

– Se há um número infinito de números entre o 1 e o 2, quam é que definiu e como onde fica o 1 e onde fica o 2?

A professora calou-se, a turma rebentou em gargalhadas e eu fiquei mais e mais perturbado com aquela dúvida. Mais do que uma questão de matemática e algarismos, era uma inquietação existencial.

Tudo isto é subversível. Foram-se instalando códigos passados de geração em geração, tidos como dados absolutos. Continue reading “Irreversível”

Copa de luz

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Fotografia @theshorstoryteller

– O que queres ser quando fores grande?

– Quero ser professora de bebés. E pentear os cabelos das meninas. E pintar os lábios às senhoras. E tu?

– Eu já sou grande!

Entre gargalhadas, a menina retorquiu:

– Claro que não és! És muito pequenina – apontou-a, sublinhando a evidência. – Então, o que queres ser quando fores grande?

– Feliz.

– Oh, madrinha… isso é resposta de velhinhos. Continue reading “Copa de luz”

Estrelas numa tarde de verão

[Post originalmente publicado em CPR – A Reanimação da Escrita – o mote é a 7ª frase da 7ª página do 7º livro da minha estante: A Bruxa de Oz, de Gregory Maguire]

“Era som sem melodia – como música onírica, recordada pelo seu efeito, mas não pelas suas angústias e recuperações harmónicas.”

Entrava-lhe diretamente na alma, ignorando o ouvido, apoderando-se de um corpo pesado que dançava de forma quase cómica, solta, privado de qualquer coordenação. Os olhos, num estado de descontrolo, traíam o transe a que se abandonava sob o céu estrelado de uma tarde de verão, que o atraía para o abismo da felicidade extrema, sem limites nem barreiras.

Continue reading “Estrelas numa tarde de verão”

Terra perdida

Um grito dilacerante cortou a noite.

A princípio parecia apenas uma ilusão, o barulho de um bicho na copa de uma árvore, uma porta a mexer num andar mais distante. Ainda assim, foi o suficiente para o cérebro se manter alerta, tentando adivinhar a origem daquela perturbação que afastara o sono e, consigo, trouxera preocupação e receio. Continue reading “Terra perdida”

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